Política
Presidenciais 2026
Venezuela, imigração, picardias e desafio de Jorge Pinto às esquerdas marcam debate com todos na RTP
Jorge Pinto deixou um desafio à esquerda no sentido de tudo se fazer para evitar cenário de vitória da direita. Foi o último debate na corrida para Belém. As eleições estão marcadas para o dia 18 de janeiro.
Na segunda parte do debate, Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre, deixou um desafio aos adversários da área esquerda no sentido de tudo fazerem para evitar um cenário de vitória da direita que venha a permitir uma revisão da Constituição da República entre Governo de direita, Parlamento de direita e inquilino de Belém também da área da direita.
"No que de mim depender, não será por mim que António José Seguro não será presidente da República", afirmou Jorge Pinto, abrindo o caminho a uma estratégia de todos os candidatos da sua área política, a esquerda, para permitir a vitória de Seguro, após ser questionado por declarações sobre uma eventual disposição para desistir da candidatura.
A 18 de janeiro, os portugueses vão às urnas escolher o próximo presidente da República: André Pestana, André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, Henrique Gouveia e Melo, Humberto Correia, João Cotrim de Figueiredo, Jorge Pinto, Luís Marques Mendes ou Manuel João Vieira.
Venezuela abriu o debate
O primeiro tema em discussão foi a intervenção dos Estados Unidos com uma operação militar na Venezuela e as consequências para o globo. Luís Marques Mendes admitiu que se trata de uma situação “muito delicada” e que a intervenção que é feita claramente à margem das regras do Direito Internacional.
“Este facto pode legitimar outras intervenções”, alertou, acrescentando que “pode abrir precedentes para o futuro”. O candidato apoiado pelo PSD assinalou ainda que as Nações Unidas “não funcionam hoje em dia”.
O derradeiro confronto na televisão pública acontece depois de 28 debates televisivos entre os oito candidatos inicialmente validados pelo Tribunal Constitucional e é moderado pelo jornalista Carlos Daniel.
Luís Marques Mendes lembrou ainda que a Constituição prevê mais responsabilidades para o presidente da República a nível da política externa e que a principal preocupação do chefe de Estado deve ser com a situação da comunidade portuguesa.
De seguida, Henrique Gouveia e Melo assinalou que Portugal é um país “de média dimensão e a coisa que mais nos protege é o Direito Internacional”.
Luís Marques Mendes lembrou ainda que a Constituição prevê mais responsabilidades para o presidente da República a nível da política externa e que a principal preocupação do chefe de Estado deve ser com a situação da comunidade portuguesa.
De seguida, Henrique Gouveia e Melo assinalou que Portugal é um país “de média dimensão e a coisa que mais nos protege é o Direito Internacional”.
“Devemos ser claros mesmo com os nossos aliados”, vincou, assumindo receio por uma “ordem internacional com base na força”.
“Está em causa o futuro das relações internacionais”, completou, condenando que se trate um país “como se fosse uma colónia”, posição que já adotou nos últimos dias.
André Ventura considerou que é importante que um “tirano” e “narcotraficante” possa “acabar na cadeia”, lembrando a prisão e a morte de opositores.
“O Direito internacional existe para proteger povos, para proteger pessoas”, afirmou o candidato apoiado pelo Chega, questionando aos restantes candidatos se também estão “contra a captura do Osama bin Laden”.
Ventura lembrou ainda que Portugal não reconheceu Maduro mas últimas eleições e criticou que a Europa “ficou à sombra” dos Estados Unidos após a II Guerra Mundial.
António José Seguro assumiu, em primeiro lugar, preocupação com a comunidade portuguesa e vincou que este é “um momento decisivo para a geopolítica mundial”.
Para o candidato apoiado pelo PS, Portugal deve reagir “com prudência mas com firmeza”, defendendo a realização uma reunião de líderes da NATO: “É importante prevenir mais do que reagir”, assinalando a importância de uma “conversa entre aliados”.
João Cotrim de Figueiredo diz que é possível celebrar a queda de um “ditador sanguinário” mas também “condenar a forma como foi feito”.
O candidato liberal afirma que se deve “exigir um futuro com democracia para a Venezuela”.
Catarina Martins lembrou que Donald Trump perdoou ex-presidente das Honduras e recebeu na Casa Branca o “ditador saudita que mandou esquartejar um jornalista”.
A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda considerou que a segurança da Europa “não pode estar nas mãos dos Estados Unidos” e que há falta de “uma estratégia europeia” para a cooperação em segurança e defesa.
António Filipe afirmou que “não compete a um estado interferir noutro Estado” e que os Estados Unidos recorreram ao “direito da força” quando lançaram o ataque sobre a Venezuela.
O candidato apoiado pelo PCP não hesita em condenar “uma violação grosseira e brutal” e critica a reação do Governo português, que considerou a intervenção “benigna” quando o objetivo é “controlar recursos e petróleo”.
Jorge Pinto diz que quando confrontados com uma “invasão ilegal” ninguém “pode estar confortável”.
Apesar do “repúdio” para com o regime, o candidato apoiado pelo Livre afirma que se dá “carta-branca” a outros líderes do mundo para ataques deste tipo. Lançou críticas a Donald Trump, que apenas falou do domínio de recursos naturais e que, após este ataque, podem seguir-se outras incursões, na Gronelândia ou mesmo nos Açores.
Manuel João Vieira considerou que nenhum dos candidatos, chegando a presidente, gostaria de ser “extraído” como aconteceu com Nicolás Maduro. Passou-se das regras para o “não há direito” onde “qualquer país pode ser intervencionado”.
André Pestana lamentou a “mudança de paradigma em que o lucro justifica tudo” e considerou que uma potência como os EUA não pode “achar-se no direito de invadir, bombardear e raptar pessoas”.
Sobre os gastos em defesa, argumentou que “já há armas no mundo suficientes para destruir a humanidade várias vezes” e apelou à mobilização por parte da sociedade civil.
Humberto Correia começou por defender que “o que se passa na Venezuela é a prova de que o comunismo não funciona” e mostrou preocupação com um cenário de guerra civil no país. Disse que o Governo português deve estar atento à comunidade e que a Europa se deve unir para assegurar a sua defesa.
Várias fórmulas para presidente com mesmo objetivo?
Sobre a questão que presidente pretendem ser, todos os candidatos destacaram a necessidade de ajudar a resolver os problemas do país em matérias como habitação, saúde, retenção da juventude e apoio aos idosos. Diferem na forma de lá chegar e na forma como podem usar os poderes da presidência.
António José Seguro reconheceu que Portugal "precisa de vários compromissos e soluções" e de um presidente para "equilibrar o sistema político". Quer exercer a "influência de magistratura do presidente em independência e em defesa de todos os portugueses".
"Venho para servir Portugal", afirmou, garantindo que não será em Belém "um primeiro-ministro sombra" mas procurará criar "pactos" para resolver os problemas do país.
André Ventura assumiu que seria interventivo. "Precisamos de um presidente que tome decisões", afirmou, "que chame o governo à responsabilidade". Com Seguro "ficariamos exatamente na mesma" e Marques Mendes seria "o presidente do Governo".
Logo depois, Gouveia e Melo criticou o "cinismo" do sistema político e dos dois principais partidos portugueses que governam o país "há 20 anos" e são responsáveis pelos atuais problemas de Portugal.
André Ventura assumiu que seria interventivo. "Precisamos de um presidente que tome decisões", afirmou, "que chame o governo à responsabilidade". Com Seguro "ficariamos exatamente na mesma" e Marques Mendes seria "o presidente do Governo".
Logo depois, Gouveia e Melo criticou o "cinismo" do sistema político e dos dois principais partidos portugueses que governam o país "há 20 anos" e são responsáveis pelos atuais problemas de Portugal.
Disse ainda que Seguro não seria um presidente independente, já que a sua candidatura é apoiada pelos "costistas" dentro do PS, que representa um partido de interesses".
Enquanto presidente, promete "contribuir verdadeiramente para a segurança" e para "a estabilidade do país", sendo "equidistante". "Não serei marioneta de ninguém" afirmou, garantindo que "não serei uma força de oposição, serei árbitro".
Pegando na ideia, Marques Mendes referiu, "não vou ser nem amigo do Governo nem adversário do governo". Irá, contudo, "dar condições políticas ao governo para governar durante a legislatura".
"Os meus adversários querem criar dificuldades ao Governo", acusou. Questionou ainda a ideia de estabilidade avançada por Gouveia e Melo, mesmo reconhecendo que "o governo deve ser censurado por não cumprir promessas eleitorais".
Num momento em que a colagem a Sá Carneiro por diversos partidos entrou no debate, Marques Mendes considerou-a "um abuso".
Cotrim de Figueiredo respondeu-lhe "era só o que faltava que eu não pudesse manifestar admiração e respeito por portugueses que serviram a democracia", referindo que se revê em Sá Carneiro e em Passos Coelho.
Num momento em que a colagem a Sá Carneiro por diversos partidos entrou no debate, Marques Mendes considerou-a "um abuso".
Cotrim de Figueiredo respondeu-lhe "era só o que faltava que eu não pudesse manifestar admiração e respeito por portugueses que serviram a democracia", referindo que se revê em Sá Carneiro e em Passos Coelho.
O candidato da área liberal defendeu ainda que o presidente, ao falar com o governo "deve saber do que está a falar". "Um presidente da República, não governando, deve ter a obrigação de ter ideias claras", afirmou, tanto "coadjuvante" como "interventivo" junto do Governo.
"Não será por mim que Seguro não será presidente"
Jorge Pinto foi confrontado com a eventualidade de desistir e disse que a "pergunta não pode ser respondidada sim ou não". "No que de mim depender, a esquerda passará à segunda volta" para, de forma "corajosa", defender a Constituição.
Denunciou nesse sentido "uma golpada feita pela direita e pela extrema-direita para fazer uma revisão constitucional".
Acabou por assumir que "não será por mim que António José Seguro não será presidente".
Afirmação que levou André Ventura a dizer que assim a candidatura de Jorge Pinto "é uma fraude". "Não devia estar aqui", referiu.
Confrontados com a eventualiade de desistência a favor de um único candidato da esquerda, possivelmente o socialista Seguro, António Felipe garantiu que "a minha candidatura é para levar até ao fim, não é uma candidatura satélite de nenhuma outra", Catarina Martins não se comprometeu com "pactos" a favor da esquerda, considerando "lateral" a questão da desistência.
A candidata, quer "colocar o país em cima da mesa". Seguro disse "eu não vou desistir", acrescentando que "o caminho sou eu que o trilho" sozinho. "Não dependo de ninguém" nem faz acordos. Quanto à eventual revisão da Constituição, garantiu que "desde o início mostrei a minha lealdade" ao texto fundamental.
António Filipe disse ainda que "sou do PCP mas não sou candidato partidário". "Quero outro rumo para o país", valorizar os os serviços públicos, intervir, não ser subserviente a poderes externos, defender a soberania, "dentro do quadro das competâncias do presidente" e "analisar a constitucionalidade" de legislação "lesiva dos direitos dos trabalhadores".
Catarina Martins retomou a palavra para afirmar que "compete ao presidente da República equilibrar e lançar os debates", que "possam desbloquear soluções" para o país. "No que me diz respeito, a esquerda irá ter em quem votar no dia 18", prometeu.
Jorge Pinto quis intervir para dizer que seria um "presidente que seria um contrapeso num país que está já demasiado virado à direita".
O sindicalista André Pestana afirmou quere trazer aos portugueses "a esperança". "É preciso enfrentar poderosos interesses que estão instalados", como os banqueiros, adiantou.
Humberto Correia assumiu por seu lado que se candidata "com uma missão": "Venho aqui da pobreza e é a pobreza de muitos portugueses que me trouxe até aqui".
Enquanto presidente "exigira ao governo a construção de cem mil habitações por ano", propondo a construção "de habitações de 30m2 que serão a 90 euros por mês e de 50m2 alugadas a 150 euros por mês (...) A minha missão é resolver a questão da habitação".
Manuel João Vieira colocou no centro da sua candidatura a inserção na Constituição "do direito à felicidade para todos os portugueses (...) em cada esquina colocaria uma mãe, porque os portugueses precisam de alguém que os abrace".
Foi o primeiro candidata a referir o problema do envelhecimento da população". "É preciso fazer bebés", recomendou.
Imigração também fez caminho no debate
A imigração foi outro dos temas em cima da mesa neste debate a onze. Questionado sobre a necessidade que o governo italiano teve de abrir as portas a mais imigrantes, Ventura voltou a insistir que o país precisa de controlar a imigração que teve nos últimos anos e disse que “Portugal pode crescer” com “imigração controlada”.
“Se pagassem bem aos portugueses, se calhar não tínhamos tanta necessidade de imigrantes”, disse.
“Nunca aceitarei que nenhum número de crescimento económico possa pôr em causa a nossa identidade e a nossa segurança”, acrescentou, acusando Seguro de ser responsável de “terem deixado entrar pessoas que nem sabíamos quem eram nem de onde vinham”.
Em resposta, o candidato apoiado pelo PS diz que Ventura está nas eleições erradas. “Se quer discutir com o PS eu dou-lhe o número de telefone de José Luís Carneiro”, disse, defendendo que é preciso “organizar e controlar quem entra no país”.
Catarina Martins destaca que “integração é ter acesso a aprender a língua”. “O nosso problema não é onde a pessoa nasceu. O nosso problema é o salário baixo”, argumentou, defendendo “salários dignos para todos”.
“O meu papel como presidente da República é lançar esse debate para uma nova economia”, disse a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda.
Cotrim de Figueiredo aproveitou a sua intervenção para se dirigir aos pensionistas, defendendo que pensões mais altas “são necessidade absoluta”. Para isso, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal diz ser necessário crescimento económico, aumento da natalidade e a regeneração do sistema de segurança social.
Jorge Pinto defende que o “mais importante é dar condições a todas as pessoas que chegam ao nosso país” e coloca como prioridade as crianças, que devem “aprender a língua portuguesa assim que chegam para se integrarem”.
Marques Mendes diz que a situação da imigração “está muito mais equilibrada”. “Precisamos dos imigrantes para a nossa economia, mas tudo tem de ser feito com equilíbrio”, disse, reiterando que o “modelo que está hoje em prática é o mais equilibrado”.
Gouveia e Melo diz que sobre a matéria da imigração o importante é “regular, controlar e integrar” e “uma economia com modelo novo e coesão social”. E questiona: “Estamos aqui num debate para a presidência ou para a governação? É que parece que estamos numa para a governação”.
Dirigindo-se, de seguida, a António José Seguro e a Luís Marques Mendes, Gouveia e Melo disse que “os dois candidatos que vêm do sistema não conseguiram vencer nos seus próprios partidos, mas vêm aqui tentar um consenso geral para serem o topo da pirâmide do nosso sistema político” e acrescentou que “é muito difícil ter candidatos que são facilitadores de negócios”.
Em resposta, Marques Mendes acusou Gouveia e Melo de estar a fazer “uma campanha de insinuações”.
“Já disse qual era a sua profissão, além de comentador?”, atirou o almirante. Mendes respondeu que está na Ordem dos Advogados desde 1983 e que foi essa a sua profissão, e que em 15 anos pós-política nunca teve um problema com a ordem, Ministério Público, Tribunal Constitucional.
“Não sou um facilitador de negócios. Nunca fui”, declarou Marques Mendes, manifestando a sua indignação “perante alguém que se especializou em ser a lama e na ordinarice”. “Use a palavra com cuidado. Ordinário é favorecer negócios no Estado”, respondeu o adversário.
Voltando ao tema da imigração, António Filipe disse que a extinção do SEF foi um “erro gravíssimo”.
O candidato apoiado pelo PCP pede que se “fale verdade” e assegura que a “esmagadora maioria dos imigrantes vem para trabalhar, ganhar a vida e não cometer crimes”.
Humberto Correia diz que “Portugal não pode viver sem imigração, mas, ao mesmo tempo, o povo português não pode ser absorvido pela imigração”. “Tem de haver um equilíbrio e a imigração tem de ser controlada”, defendeu, considerando que “a melhor integração para a imigração faz-se na escola”.
Manuel João Vieira salienta que há um desequilíbrio entre o litoral e interior e lamenta que não exista um controlo do território. “Não existindo, é mais fácil ameaças externas apoderarem-se de parte do território”, observou.
André Pestana alega ser “o único candidato que quer acabar com os subsídios milionários aos partidos”, acusando os outros candidatos de não dizerem onde vão buscar dinheiro para melhorar a vida dos portugueses.
“É preciso denunciar onde há muito dinheiro”, diz, atirando a André Ventura: “Diz que é contra os subsídio-dependentes mas juntamente com o PS e PSD continua a receber dinheiro”, disse Pestana.
“André Pestana deve ter a pestana pouco aberta para não perceber que o Chega apresentou três vezes para se acabar com benefícios fiscais do partidos e outras coisas”, respondeu o candidato apoiado pelo Chega, salientando que Pestana “andou em três partidos” e que “todos eles defenderam mais subvenções e privilégios” para os partidos.
A cada candidato, no final do debate, foram colocadas perguntas difíceis.
A Marques Mendes se fez um comentário "do qual se arrependesse", ao que o candidato responder ser "muito difícil" lembrar-se de algum de repente, mas pediu desculpa se eventualmente foi inconveniente.
Ao almirante Gouveia e Melo, "se alguma vez tinha desobedecido a uma ordem por questão de consciência", ao que o candidato disse "não", por nunca ter recebido uma ordem dessas.
Já André Ventura foi confrontando com a possibilidade de um familiar estar a namorar com alguém oriundo do Bangladesh. "Preferia que fosse com uma portuguesa", admitiu, "mas o amor é o que é". "Se for do Bangladesh, tem de cumprir as regras, não cometer crimes, gostar do nosso país".
António José Seguro respondeu que "não poderia perdoar" a quem o convenceu a afastar-se da liderança do PS, nas primeira e únicas eleições primárias num partido português, porque, "essa pessoa fui eu próprio". "Quando as ideias resultam de convicções só temos de aceitar o resultado democrático", explicou, continuando a dizer que foi "uma boa ideia".
Cotrim de Figueiredo foi confrontado com a pergunta "quando é o liberalismo precisa de um travão". O candidato pensou um pouco, perguntou "desculpe?" e depois afirmou que o liberalismo "tem um travão automaticamente embutido em si próprio", recomendando ainda a leitura "A teoria dos sentimentos morais", de Adam Smith, que postula que "numa sociedade liberal ninguém é feliz se alguém ao seu lado passar fome", já que "os sentimentos morais estão bastante acima do interesse próprio", sendo esse o travão.
Catarina Martins foi questionada sobre qual causa fraturante "vale mais a pena lutar hoje", a candidata afirmou que "se chama causas fraturantes aos avanços civilizacionais que sararam fraturas na sociedade". Há ainda "muitas" causas pelas quais vale a pena lutar.
Confrontado com a eventualidade de ter votado contra a consciência pessoal "por disciplina partidária", António Filipe respondeu "não". "A minha convicção é que integração numa entidade coletiva nos enriquece a todos". "Temos de nos saber ouvir e de uma discussão nascer a luz".
A Jorge Pinto foi perguntado se "alguma vez cedeu ao voto útil". O candidato disse "tanto quanto me lembre, não". "Até hoje votei sempre naqueles projetos que eu acreditava serem melhores para o país". "E até hoje continuei a dormir absolutamente tranquilo".
Humberto Correia teve de responder ao que lhe "faz levantar a voz mais depressa, a injustiça ou a falta de respeito". "A pobreza e a miséria de muitos portugueses", preferiu dizer o candidato.
Questionado sobre se alguma greve “foi longe demais”, o candidato André Pestana, que se notabilizou por ter liderado um sindicato na área da Educação, considerou que o STOP “mudou o paradigma sindical” com mandatos consecutivos finitos para dirigentes e com decisões democráticas.
Manuel João Vieira salientou que “a coisa mais séria” que já disse é de que o direito à felicidade deveria ser inscrito na Constituição.